quarta-feira, junho 27, 2018
Da série: teoria e prática
Ao retornar para a escola onde fiz
meu Ensino Médio para realizar o Estagío de Observação, tive um diálogo
estranho com um estudante. Quando perguntei a razão pela qual ele não
buscava ingressar na UFC quando terminasse o EM, obtive a resposta de
que a UFC nunca tinha lhe passado pela cabeça.
Vamos para Bourdieu: "o desejo razoável de ascensão através da escola não pode existir enquanto as chances objetivas de êxito não forem mínimas" (A Escola Conservadora: as desigualdades frente à escola e à cultura). O único motivo pelo qual eu não me assustei demais com a resposta que o menino me deu foi porque eu vim daquela escola. Conheço a desesperança dos estudantes de lá. Sei que muitos nem sequer consideraram a UFC ou UECE como opção porque acrediatavam que não passariam ou, se passassem, não conseguiriam se manter lá dentro. É uma escola pública regular, com um público estudantil bastante variado, mas constituído principamente por gente pobre que vai precisar ajudar com o baião de dois em casa assim que sair da escola. As famílias exigem isso. Bem compreensível.
Mas me assustou demais ter acesso ao PPP e ver que a META de média escolar no ENEM em 2015 (ano em que eu ingressei na universidade) era 480,49. Isso não é nada agradável. Como exigir de um estudante de uma escola como essa tenha perspectivas com algo que soa irreal para a realidade dele? Se a escola é um espaço em que esperanças são constantemente construídas, como fazer com que determinadas possibilidades não pareçam ser fantasiosas para esses meninos e meninas?
"Ah, mas você..." eu uma ova! Eu fui, sim, um caso à parte, assim como pouquíssimos outros estudantes que conheço. E isso tá errado. Tá errado porque não se trata só de "força de vontade". Comparar casos de moleques que vieram de realidades absurdamente diferentes sem levar isso em consideração é injusto e irresponsável, assim como querer interpretar toda a situação a partir de dois ou três casos destoantes. As perspectivas são outras, as esperanças são outras, os sonhos são outros. E a escola participa SIM dessa construção. A comunidade participa. A família participa.
Ensinar é lidar com esperanças. E às vezes tem coisa demais matando elas.
Vamos para Bourdieu: "o desejo razoável de ascensão através da escola não pode existir enquanto as chances objetivas de êxito não forem mínimas" (A Escola Conservadora: as desigualdades frente à escola e à cultura). O único motivo pelo qual eu não me assustei demais com a resposta que o menino me deu foi porque eu vim daquela escola. Conheço a desesperança dos estudantes de lá. Sei que muitos nem sequer consideraram a UFC ou UECE como opção porque acrediatavam que não passariam ou, se passassem, não conseguiriam se manter lá dentro. É uma escola pública regular, com um público estudantil bastante variado, mas constituído principamente por gente pobre que vai precisar ajudar com o baião de dois em casa assim que sair da escola. As famílias exigem isso. Bem compreensível.
Mas me assustou demais ter acesso ao PPP e ver que a META de média escolar no ENEM em 2015 (ano em que eu ingressei na universidade) era 480,49. Isso não é nada agradável. Como exigir de um estudante de uma escola como essa tenha perspectivas com algo que soa irreal para a realidade dele? Se a escola é um espaço em que esperanças são constantemente construídas, como fazer com que determinadas possibilidades não pareçam ser fantasiosas para esses meninos e meninas?
"Ah, mas você..." eu uma ova! Eu fui, sim, um caso à parte, assim como pouquíssimos outros estudantes que conheço. E isso tá errado. Tá errado porque não se trata só de "força de vontade". Comparar casos de moleques que vieram de realidades absurdamente diferentes sem levar isso em consideração é injusto e irresponsável, assim como querer interpretar toda a situação a partir de dois ou três casos destoantes. As perspectivas são outras, as esperanças são outras, os sonhos são outros. E a escola participa SIM dessa construção. A comunidade participa. A família participa.
Ensinar é lidar com esperanças. E às vezes tem coisa demais matando elas.
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