Poesias

Incopiáveis e insubistituíveis

quinta-feira, setembro 29, 2011


Toda garota
 já viveu um sonho,
já chorou por alguém,
gritou por besteira,
pensou estar apaixonada
e se decepcionou.
Toda garota
já quebrou a unha,
amou quem não deveria,
usou uma roupa da moda
e beijou alguém
 só para causar ciumes em outro alguém.
Toda garota
já chorou sem saber por que,
sentiu o coração palpitar
por um simples olhar
de uma pessoa que poucas vezes viu.
Toda garota
já quis mais do que pode ter,
sorriu de si mesma,
sentiu vontade de pirar a vida
mas teve medo de se arriscar.
Toda garota
consegue fazer mil coisas sem reclamar
olha para o mundo de outra maneira
vê coisas que nenhum garoto pode ver.
As garotas
têm seus altos e baixos de auto-estima
mas sabem que são únicas
incopiáveis e insubstituíveis 
a melhor obra da natureza
capaz de coisas extraordinárias
e absolutamente imprevisíveis.




Mudanças

quarta-feira, setembro 21, 2011

Abri as portas do guarda-roupa decidida a mudar.
Recolhi as roupas velhas - elas iriam para a caridade. Dobrei as poucas peças que permaneceriam comigo e suspirei fundo enquanto guardava cada uma delas em um degradê mal-feito.
Quando pensei em deixar minha vida em ordem, não estava nos meus planos arrumar meu quarto ou organizar os livros da antessala em ordem alfabética. O plano era organizar minha mente. Queria recolher e jogar fora os fios desencapados que ainda me atormentavam noite e dia; queria encarar de frente e resolver os problemas que eu sempre julguei enormes demais para mim; queria parar de fechar os olhos para tudo ao meu redor e fingir que nada existia; queria mudar o mundo. Mas, quando abri os olhos para o meu mundo, vi o quanto tinha de muda-lo para mudar o resto. Desleixo é a marca de gente irresponsável, e aquele título não pertencia mais a mim.
Em meio aos entulhos que nunca joguei fora, encontrei as medalhas das olimpíadas escolares de diversas matérias. Nada demais, eu deveria ter uns 6 anos. Há 10 anos atrás eu era realmente competitiva e, modéstia à    parte, era a melhor. Hoje, não tinha mais paciência para isso. Pensando bem, já era hora de dar um sentido a mais para minha vida e, além disso, queria fazer algo que não fosse obrigatório, algo que eu gostasse de fazer. Algum esporte, talvez...?
 Nunca fui boa em esportes. Luta, bola, velocidade... não importa a categoria, eu nunca vou me encaixar em nada que exigisse esforço físico.
 "Pense um pouco, não é possível que você seja tão inútil."
Outro achado perdido me levou para longe dos meus atuais devaneios. Me lembrei sorrindo de quando minha mãe me entregou pela primeira vez o boneco do Bob Esponja. Era feio, mas sua função principal não era encantar as crianças. Ele tinha um sapato enorme munido de dois grandes fios que se passavam por cadarços. Mamãe o entregou a mim certificando-se de que eu treinaria incansavelmente a arte de amarrar cadarços. Passava horas em cima da cama tentando fazer um laço bonitinho. Muitas vezes até chorei de frustração por não conseguir. Um dia, simplesmente desisti - deve ter sido o mesmo dia que dei fim a minha saga competitiva.
 Indo um pouco mais à frente, lembrei-me do dia do meu primeiro beijo. ele era um garoto sensível, tímido, daqueles que não se misturam com ninguém e vivem no cantinho da sala de aula. Não era feio, mas não tinha chance com nenhuma das garotas normais da escola, que viviam se humilhando par os mini-cafajestes.
 Estava voltando da escola quando avistei o cabelo louro e o óculos debruçados sobre o livro de ciências. Corri para casa e tomei um verdadeiro banho de perfume para encontra-lo. Foi tudo tão apressado que me julguei perfeita sem nem mesmo notar que permanecia com o uniforme escolar. Corri ao banco onde ele estava sentado e aconteceu o desastre: Pisei no fio de algodão solto do meu tênis e cai nos braços do meu salvador, que me segurou com força me livrando de quebrar o nariz no chão. Ficamos nos olhando por um bom tempo, até q ele fez a pergunta fatal:
- Não vai amarrar o cadarço?
 Tremi e, timidamente, contei minha incapacidade. Nada ruim, ele me ensinou como um cavalheiro e eu aprendi rápido, o que acalmou a suspeita de que eu tinha algum problema na cabeça. Estudamos, rimos, nos divertimos e nos beijamos. Minha mãe nunca ficou sabendo como aprendi a amarrar o cadarço.
 As semanas seguintes ao beijo foram banhadas pela melosidade do primeiro amor. Cartas, poesias, ligações... Até q a mágica acabou, o êxtase esfriou, , a música sessou, e o encanto, ah, esse se quebrou não, se estabacou no chão mesmo, como eu não tinha feito àquele dia. Foi tudo muito dramático. Chorei rios e ele o oceano inteiro. Mas, como toda paixão pré-adolescente, passou, e nós ficamos bem novamente.
 Agradeço, pois se não fosse as nossas 4 semanas de "namoro" (assim mesmo, entre aspas) nós ainda seríamos a dupla sem-amigos do fundo da classe.
 Uma voz que não me era estranha me chamava do lado de fora do quarto. Era meu atual namorado, o motivo pelo qual quis mudar. Sempre era assim, acabávamos de brigar e trancava a porta do quarto e inventava de mudar toda a minha vida.
 Enxuguei as lágrimas, olhei para o boneco e para as medalhas e pensei se para mudar minha vida, eu preciso esquecer o passado. Pode ser que ele (o passado) não possa ser vir para muita coisa, mas  Ã© ele o responsável pelo nosso presente e pelo que somos hoje. Nossas atitudes, nossos gestos, nossos aprendizados, nossa vida. Tudo o que somos devemos ao senhor dos tempos.
 Abri a porta e calei meu namorado com um beijo. Não queria falar sobre as minhas infantilidades, pois às vezes o passado pode ser irritante. 
 E as mudanças?
 As roupas ainda vão para a caridade; minha mãe ficou feliz em ver meu quarto arrumado; lembrei-me que já fui elogiada por alguns textos que escrevi e decidi fazer um blog; e  foi bom me lembrar dos velhos tempos. Um dia eu vou mudar, mas não quero apressar as mudanças. Prefiro deixar o tempo tomar seu tempo.