20/10/2019

quarta-feira, novembro 06, 2019

Eu nasci pra ser artista.
Essa é uma das poucas certezas que carrego comigo desde criança. Acho que comecei a perceber isso quando minha mãe cantava para mim na hora do sono.
A música foi uma das minhas primeiras paixões. Eu cantava na frente do ventilador e fazia shows tendo o espelho como platéia e uma escova como microfone. No auge da minha autoestima cheguei a compor algumas letras. Comecei a definir para mim o que era música boa e ruim sem muita dificuldade.

Aí eu percebi que "minha música" era ruim. Muito ruim. Ruim pra burro.
Mas não desisti da arte. Fui tentando me encaixar em outros espaços como quem tem certeza de que nasceu para aquilo.
Acho que minha pré-carreira mais curta foi no desenho. Eu aprendi a desenhar o zé-palito muito cedo (mais cedo que boa parte das crianças da minha idade) e acho que isso me deu falsas esperanças. Logo o zé-palito das outras crianças foi evoluindo para casas, árvores e animais. E eu, com tristeza, continuei desenhando lindas famílias de palitinhos. Até hoje.
Eu tentei dançar também. Vou me limitar a dizer que não deu certo.
Tentei encontrar espaço até na decoração, mas meus colegas de escola perceberam rápido que eu era um desastre com tesouras, pincéis e colas e me afastaram das decorações de festas escolares, confecção de cartazes e coisas do tipo.
Mas então, em algum momento, vieram os livros. Eu me apaixonei por eles com o fervor digno de um caso de amor infantil. Descobri que também se pode fazer arte pela escrita. Foi aí que eu investi todos os esforços que me sobraram. E até que não fui mal. Minha escrita sempre foi elogiada.
Então eu comecei a escrever de todo jeito. Fiz poesias, mas não consegui ler nelas nada que me fizesse sentir o que sentia com tantas outras. Tentei contos, mas nunca conseguia segurar uma narrativa por mais de duas páginas sem ficar exausta e sem ideias. Pela mesma razão, acabei desistindo de um dia conseguir escrever um romance.
Até escrevo bem, mas não escrevo literatura.
Assim, depois de tentar de tudo um pouco, fui aceitando que eu nasci pra ser artista, mas não sou. Penso que talvez seja melhor assim. Se eu fosse musicista, por exemplo, seria daquelas que anda com um violão pra cima e pra baixo enchendo o saco de quem quer paz e forçando todo mundo a ouvir minha música. Com toda certeza largaria tudo e iria tentar viver da minha arte na praia recebendo doações. Eu me consideraria tão boa que não passaria na frente de uma faculdade nem faria um currículo até me perceber com trinta e cinco anos e um violão quebrado no terminal da Parangaba. Deus sabe o que faz.
Acabei me conformando e aceitando minha condição de artista ruim, frustada e fracassada.
Aí virei historiadora.
Já na faculdade, me convidaram a pensar se a escrita da História também não é um tipo de arte.
Sinto que sou um pouco esquizofrênica porque ouço o som das risadas dos que se divertem com essa piada que a vida faz comigo.
Desgraçados.

Sobre o voo dos pássaros.

sábado, fevereiro 09, 2019

"Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro na mata livre em que a voar me viste."
O Pássaro Cativo - Olavo Bilac.

Li esse trecho do poema de Olavo Bilac pela primeira vez em um livro das coleções da biblioteca da minha escola de Ensino Fundamental. Desde esse primeiro contato, essas palavras ficaram gravadas na minha cabeça sem que eu fizesse esforço para tal. A razão disso é que eu gastei tempo demais digerindo essas palavras, tirando delas tudo o que podia, que seria impossível esquecê-las.
Eu nunca gostei de gaiolas, embora tenha sido rodeada por elas, visto que fui criada em meio a amadores de pássaros. Ora, eu também tenho uma paixão por essas criaturinhas, mas desde cedo percebi que me angustiava ver o objeto de minha admiração preso, embora que bem cuidado, bem alimentado, limpo. Isso porque o que despertava meu interesse e minha paixão por esses animais era a liberdade que dava a eles um charme tão próprio. A beleza podada das penas enclausuradas não era a mesma das asas que voam pelo céu e nos forçam o esforço de segui-las com os olhos para admira-las. A surpresa do canto livre é bem mais prazerosa que a do canto do pássaro que se debate procurando saída.
E isso não era algo só meu. Todas as vezes que questionei alguém sobre sua admiração pelas aves, ouvi referências ao voo livre. Ninguém diz que gostaria de ser um pássaro para ser preso. Admiramos neles a leveza do aparecer e desaparecer, de nos presentear com as cores, o bater das asas, o canto suave, e depois ir embora nos deixando com a gratidão pelo presente concedido.
Mas, ainda assim, os prendem.
Não digo, jamais, que prender traduz falta de amor. Quem prende pode, de fato, amar. É, entretanto, um amor desesperado, sedento de presença, que busca pela posse do objeto de amor, dando mais ênfase ao "ter" que ao "ser com". Quem ama pode até prender, mas não deveria! Não deveria porque, ao fazer isso, retira-se do objeto de amor aquilo que faz dele amado. A ganância por possuir faz com que destruamos no outro aquilo nele pelo qual nos apaixonamos.
Toda presença amada é um presente. Nada nos resta além de nos deliciarmos com a lisonja de sermos presentados. Não nos foi dado o poder de exigir mais sem matar quem nos presenteia. Que o partir não seja considerado abandono.
Livremo-nos de gaiolas. Recusemos qualquer alpiste. Aprendamos a voar juntos. E livres.

Sobre mundos em ruína

sábado, janeiro 12, 2019

Uma das coisas mais difíceis, motivadoras e empolgantes de se estudar essas coisas q a gt chama de Ciências Humanas e Sociais é tentar entender como as pessoas vão articulando maneiras de organizar e dar sentido ao mundo. No meu caso, como estudante de História, cê soca o tempo aí. Isso, entender como as pessoas vão articulando maneiras de organizar e dar sentido ao mundo no tempo. Pronto. Pode desgraçar sua cabecinha agora.
Na real, a história (a coisa) é um negócio assim mesmo, um bando de criaturas tentando dar algum sentido ao fato de umas criaturas aleatórias no meio de tantas outras começarem a se preocupar em dar sentido às coisas e à sua própria existência (relê aí q é isso msm, vdb).
E nessa busca por organizar o caos, foram construídas narrativas, práticas, monumentos, sentimentos, arte, marcações temporais, crenças, fé. A vida só é vida quando se consegue dar alguma ordem a ela. Ninguém consegue viver no mais absoluto caos. Não como humano em sociedade.. É preciso ter um pouco de chão até mesmo para voar. Ora, sem chão, a ideia e o valor de voar não fariam o menor sentido.
O que é muito difícil pra gente é entender que nem sempre, nesse processo de organização do mundo, a nossa noção contemporânea ocidental de verdade tinha o valor que atribuímos hoje. De nada serve dizer que a experiência religiosa dos egípcios era baseada em histórias que obviamente não eram reais. Na maioria das vezes, pra entender essas coisas, é preciso colocar nossa noção de obviedade e realidade no bolso. Não se tratava de verdade ou mentira. N no sentido q damos a isso.
Tal hora, a ciência entrou no jogo. Nem sempre desvencilhada da religião, nem sempre como um caminho oposto a ela. Só entrou. Às vezes abraçada com a fé, as vezes sofrendo ataques por feri-la. Aos poucos, constituiu-se uma outra forma de dar sentido ao mundo, organizando-o em uma linguagem própria, a partir de evidências e razão.
Mas o que parece ter acontecido numa linha evolutiva (dos mitos à luz da ciência), é bem menos fácil de lidar do que parece à primeira vista. A ciência colocou em jogo coisas basilares em momentos cíticos e nos fez questionar aquilo que nos faz humanos e nos perguntar quem deve servir a quem: o homem à ciência ou ela aos homens. A ética não escapa à crueldade da razão. Por outro lado, a fé nunca saiu de cena. Há quem acredite que ela cumpre melhor a função de organizar a vida.
E muitas das crenças que se mantém pela fé se baseiam em verdades, pilares que não podem ser destruídos. Essas verdades orientam td: comportamento, fala, sentimentos, sexo, vestuário. Td a vida passa a ser definida por elas para quem as tem como sagradas. Mas, que fique claro, não digo que é definida apenas pela aceitação. Muitas vezes, é pela fuga, pelo desejo desenfreado de seguir pela negação dessas verdades que elas direcionam as práticas de alguém.
O fato é que se constrói um mundo a partir disso, e negá-lo é difícil demais. De nada serve, inclusive, buscar levar a razão como luz a quem se acredita estar nas trevas da crença. O que você chama de trevas é a iluminação natural e perfeita para o que eles precisam ver para que seu mundo faça sentido. Eles não querem tua luz. Ela só os confunde e desorienta. Tu que necessitas andar carregando uma tocha porque é incapaz de se orientar sem a luz do fogo. Não tens a iluminação peculiar que os guia. Aceite, então, se queimar de vez em quando.
E nós, coitados, temos que lidar com a tensão que bate à nossa porta nos perguntando se é ético defender que alguma dessas verdades que orientam a vida possam ser melhores que outras. Eu diria que sim. Mas eu não sou um bom parâmetro. Mesmo assim, defendo abertamente que uma organização de mundo que não fere a existência de alguém para se manter é melhor para a sociedade que outras. Defendo que nenhuma verdade pilar de qualquer um deva importar mais que a vida e a liberdade de alguém de ser quem é de cultivar suas verdades. Um limite perigoso, imperfeito. Sofremos a consequência dessa imperfeição.
Dizer para alguém que suas verdades talvez devessem ruir é bastante arriscado. Atiça instintos de proteção que vão muito além da sobrevivência. Até pq, para muitos, há coisas pelas quais vale a pena morrer. Há pessoas que dão a vida pelo seu mundo. Para elas, ouvir é perigoso. Poucos lidam bem com ver seu mundo ruir e ter de reconstruí-lo.
E para reforçar que nada aqui é tão bem demarcado e classificável, sou do grupo dos que aceitaram a luz do fogo e costumam andar com uma tocha nas mãos, mas não ouso tomar para mim a missão de iluminar ninguém. Apresento o fogo e deixo vir a ele os que se sentem atraídos pelas chamas. Mas, às vezes, em momentos em que essa luz não me ajuda a organizar o caos, apago a tocha e sigo tateando numa escuridão que me conforta e me traz paz. Às vezes, é nela que meu mundo faz mais sentido, e sinto piedade pelos que continuam reféns das tochas. Do lado de cá, quem vive nas trevas são vocês.
Por fim, sei que é preciso ter muita coragem para reerguer um mundo a partir de ruínas. Estou descobrindo agora os limites da minha.

Sobre História e Esperança

quarta-feira, janeiro 02, 2019

Em uma das aulas de estágio IV, um estudante fez uma intervenção bastante esperançosa de q a humanidade vem evoluindo. Depois q o garoto concluiu, abri espaço na aula para discutir historicamente a noção de uma evolução da humanidade e de como isso vem sendo repensado. Tudo ótimo, até que encarei a turma e abaixei o pincel com o mesmo sentimento de frustração que vi no rosto daqueles que me olhavam. O silêncio era incômodo de tão cortante. O clima esperançoso q havia sido criado pela fala do garoto com a ideia de evolução tinha sido destruído. E eu me senti culpada. Se havia uma coisa que eu não havia esperado ao iniciar o estágio, era aquele momento.
Corta.
Uma discussão com colegas de curso. Falávamos sobre natureza, injustiças, felicidade, humanidade, política, esperança. Depois de eu me exaltar um pouco na minha fala, uma amiga me olhou com calma dizendo "Viviane, mas se tu pensa tanto assim, pq vc continua brigando por isso? Se vc acha q n tem jeito, pq se desgastar lutando? Pra q militar, pra q discutir, pra q sofrer tanto por isso?"
Corta
Lendo Quotidiano e Poder, da historiadora Maria Odila, um trecho do escrito marcou-me de forma especial. No texto, Odila falava das professoras que eram criticadas e punidas por ensinar meninas a ler e escrever quando deviam ensinar a coser e bordar. O momento em que eu fazia aquela leitura era bem delicado para mim. Pós vitória de Jair Messias Bolsonaro (n é necessário mais nenhum cuidado com os algoritmos) e de td o q ele representa. Foram vitoriosas, nas urnas, as ideias absurdas com as quais ele foi eleito.
Ler aquilo naquele momento fez com q eu sentisse uma alegria imensa.
Ora, as pessoas costumam notar meu suposto pessimismo, meu pavor, minha raiva de injustiças, e alguns sabem bem que muitas dessas coisas q me marcam minhas interações são fruto da minha relação com a História. Mas foi ali, lendo aquele trecho, q me dei conta que também foi pela minha relação com a História q desenvolvi praticamente toda a esperança q tenho hoje. Irônico? Talvez.
Encerremos os cortes aqui.
Ser um bom historiador e ter esperança não é só possível como é necessário.
Estudar história é sempre doloroso para qualquer um q se permita sentir. Tocamos nas feridas da vida. Desvirginamos donzelas memórias, sacras crenças, consagradas fés. Lidamos com a vida, com a humanidade, e poucas coisas são tão assustadoras quanto o elemento humano. Daí, precisamos ser curiosos e... esperançosos. É preciso ter esperança de achar as coisas, entendê-las, fazê-las compreensíveis a outros. Somos artistas fazendo tudo para que nossa arte não seja só vista, mas sentida. Precisamos tocar. Temos deveres, assumimos responsabilidades com o conhecimento que construímos. Nunca é fácil. Isso nos torna verdadeiros militantes, profetas gritando no deserto em alto e bom senso para as areias.
Mas narramos nossas profecias conjugando verbos no pretérito. As areias não podem ouvir o q dizemos, muito menos entende-las nesse tempo verbal tão estranho para ser profético.
Precisamos ter esperança de que não falamos só para areias. Falamos para gente. De gente. E somos gente. Nossos deuses são gente, nossas crenças são de gente, nossa fé é de gente, nosso amor é de gente. Não podemos justificar nada com seres divinos, com intervenções celestiais. Nas nossas profecias só cabe gente. E isso é desesperador. É preciso ter esperança para vencer o desespero.
Mas gente muda. Não evolui, mas muda. E o mundo muda pq é feito por gente. Somos humanos, e nossa humanidade dá sentido a tudo à nossa volta.
Mudamos, e com essas mudanças vêm novos problemas, novos desafios, novas causas, novas responsabilidades. Mudam nossos inimigos (sempre humanos, mesmo que desumanizados), mudam nossos gritos de guerra, transforma-se nosso campo de batalha. Transformamos a própria luta. Coisas pelas quais brigávamos de repente já não faz tanto sentido. Outras coisas parecem mais urgentes, mais injustas, mais necessárias.
Nossa esperança nunca pode ser a de que todos os problemas serão resolvidos, mas a de que sempre teremos povo para batalhar. Sempre teremos os nossos de armas prontas no campo de batalha. Avançaremos porque nunca estamos sós, mesmo q nosso passo seja lento.
O tempo muda, as causas podem até ser outras, mas nós sempre estaremos lá. Eles também. O choque vai continuar a existir, mesmo que as armas mudem. Eles permanecem. Nós também. Não deixaremos de existir. Sempre estivemos aqui para gritar pelo que é necessário gritar, estaremos daqui há sabe-se lá quanto tempo. Nossa existência incomoda, e que bom isso.


Lutaremos pelas causas de agora. No futuro, ainda estaremos lá, ensinando a ler quando nos mandaram ensinar a coser e bordar.

terça-feira, janeiro 01, 2019

Bom, vou fazer aquele troço clichê de aprendizados de 2018 (mts dessas coisas ainda tô aprendendo).
1. Seja honesto consigo. Saiba sempre reconhecer aquilo que você quer, quem você é, o que deseja. Depois vc julga se é ruim ou bom, analisando as consequências. Mas não minta para si. Admita o que sente. Só assim você vai ser capaz de conseguir fazer escolhas verdadeiras e sensatas. Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira (olar, Renato Russo) pq ao se enganar vc acaba enganando mt gente e, um dia, quando, a verdade vier, todas essas pessoas vão sofrer com você as interferências das suas mentiras. Se tem alguém no mundo a quem você deve fidelidade, essa pessoa é você.
2.Querer, poder e conseguir são coisas diferentes. E é necessário reconhecer essa diferença. Não se engane dizendo que não quer quando não pode; que não pode quando não consegue; que não consegue quando não quer. Diga o que as coisas de fato são e planeje suas ações a partir disso, não de uma farsa nascida da sua covardia de assumir suas próprias vontades e capacidades.
3. É preciso muita coragem para abrir mão de algo que te faz mal por mais que você deseje ficar e ache que isso é o certo a se fazer. Mas é necessário. E é libertador. Faça isso, por você. Não pode ser realmente bom se te machuca, te perturba, te confunde. E, se realmente for bom, você jamais vai conseguir aproveitar enquanto não estiver curada e puder viver isso bem. Permita-se esse tempo.
4. Não precisa ser só sofrimento. Por mais que você ache que merece isso. Até as coisas ruins costumam ter algo bom nelas, e você não precisa se sentir culpado por tentar viver o lado bom das coisas. Tá tudo bem. O sofrimento taí, as consequências dos seus atos vão vir, mas você não precisa se condenar a um inferno porque acha que merece isso. Não se culpe por aproveitar o lado bom daquilo que já tem sofrimento envolvido. Não precisa ser só isso.
5. Não importa o quanto vc odeio algo/alguém. Algumas coisas/pessoas são necessárias, por mais incômodas que sejam. Por mais cruéis q sejam. Você precisa aceitar que elas existem e vão continuar existindo, e podem realmente ser necessárias. Como a fumaça (o contexto desse aprendizado é bem estranho, por isso o lance da fumaça). Então aceite-as e entenda o seu sentimento em relação a elas. Não importa o quanto vc as odeie, elas precisam existir.
6. Você não é e nem deve ser responsável pelas ações dos outros. Permita às pessoas fazerem suas próprias escolhas e sofrerem o desenrolar delas. Não seja egocêntrico. O mundo não gira em torno de vc, mesmo quando vc acha q isso acontece de um jeito ruim. Você não tem o poder de influenciar tanto a vida de alguém que tudo de ruim que aconteça a ela seja responsabilidade sua. Deixe-as viver, cometer seus próprios erros e responsabilizar-se por isso.
7. Não importa o quanto algo seja importante para você, ele pode não significar nada para outras pessoas. Respire fundo e considere se vale a pena atribuir tanta importância a isso. Se sim, lide com o fato de que os outros não precisam atribuir a isso tanta importância.
8. A arte exige preparo. Nem todo mundo está bem preparado para tocar e ser tocado.
9. Nosso corpo é um labirinto sem saída cheio de descobertas e prazeres escondidos nas esquinas. Você decide se é uma prisão ou uma festa. Na verdade, pode ser os dois. Dói estar limitado à carne mas, ao mesmo tempo, os limites costumam ser mais expansíveis do que você imagina. Experimente-se. Transforme sua prisão no seu lar e conheça dela cada curva, cada marca, cada sinal.
10. A vida é sempre um caminho, uma trajetória , uma corrida cuja largada já foi dada há muito tempo e que não abre possibilidades para pausas. Ah, e não existe chegada. A vida acontece durante a corrida. Ela é a corrida. Em algum momento, a gt só cai no meio dela. E os outros corredores continuam pq não existe pausas para um minuto de silêncio. Faça a corrida valer a pena, saca? Não há chegadas.