Elogio da Loucura - Erasmo de Rotterdam.
O texto acima é parte de um discurso da Loucura. Sim, é ela quem fala. Rotterdam escreve e publica. Não, não faz muito sentido que eu venha a postar isso no Facebook, mas nós estamos falando de loucura, não é mesmo? Logo veremos que as ações loucas costumam fazer bastante sentido, até.
Nesta segunda-feira, ouvi de uma das pessoas que mais admiro no mundo que eu deveria assumir minha loucura. Foi um conselho de uma louca para outra louca inexperiente e confusa. Eu não pude deixar de estranhar o conselho. Não que eu não concordasse que a loucura deve ser assumida, mas porque eu, em minha ingenuidade, achava que já tinha assumido a minha. Não conseguia ver meus disfarces. Ora, ao longo de toda a minha vida até agora (19 anos, para ser mais clara), o adjetivo que mais me foi atribuÃdo foi o de louca. Eu, uma louca, buscava entender as razões para isso. Perdia noite de sono procurando entender o que me fazia diferente dos normais. Por fim, acabei por perceber que esse adjetivo parecia sempre estar ligado à s pessoas que agiam, falavam e pensavam fora dos "padrões". Era louco quem ria alto e não se preocupava com o que os outros iriam dizer; louco quem falava verdades, dúvidas, inseguranças, sentimentos; maluco de pedra quem questionava coisas que já estavam certas para a maioria. Eu, coitada, questionava tudo, brigava por tudo, ria de tudo, chorava mais ainda. Louca.
Aos poucos, fui me apaixonando por essa loucura. Percebi que ela me fazia um pouco diferente e eu gostava disso, apesar das dores e da solidão que isso me trazia. Comecei a defender a bandeira dos loucos. E foi essa minha maluquice que me colocou aqui na universidade e, mais especificamente, no curso de História. Segunda-feira eu pude entender, pela primeira vez, a razão pela qual eu consegui me encaixar um pouco aqui. Segundo a tal pessoa, esse é um lugar de loucos. Claro, ninguém com o juÃzo perfeito gastaria a cabeça tentando entender o que aconteceu no século XVII. Faz todo o sentido. E eu acabei por enxergar pela conversa que, no fundo, eu louvava a loucura enquanto me forçava a ser normal. Não adianta. quem aqui se encaixa está estupidamente fora dos padrões de normalidade
Mas aqui também é um lugar de sábios, aspirantes a sábios ou metidos a sábios. E eu acho que esse foi o grande erro da Loucura em seu discurso: passou tempo demais separando-se da sabedoria, como se tivesse dela nojo, buscando mostrar-se superior. Ora, pelos próprios argumentados apresentados por ela ao louvar-se em detrimento da sabedoria, fica claro que quem busca ser "mais sabido" e se dispõe a enfrentar as consequências disso não pode ter o mÃnimo de juÃzo na cachola. Saber dói demais. Reconhecer sua própria estupidez diante do mundo e se entregar à s delÃcias da busca pelo conhecimento sem garantia alguma para tal é um troço bem estúpido de se fazer.
No fim, somos todos uns loucos. E penso que a Sabedoria e a Loucura são duas amantes briguentas. Por isso, acho que a Loucura se absteve de contar parte da história quando fez seu tal discurso. Devia estar brigada com a Sabedoria. tudo bem, que briguem para disputar quem é superior a quem. Esse deve ser um relacionamento difÃcil. No fundo, devem entender que, quando se juntam, o orgasmo advindo dessa transa torna tudo mais divertido e apaixonante.
Quanto a mim, desisto. Não me encaixo no mundo dos normais. E tudo bem: tal mundo não me satisfaz.
Assumo minha loucura.
Vamos para Bourdieu: "o desejo razoável de ascensão através da escola não pode existir enquanto as chances objetivas de êxito não forem mÃnimas" (A Escola Conservadora: as desigualdades frente à escola e à cultura). O único motivo pelo qual eu não me assustei demais com a resposta que o menino me deu foi porque eu vim daquela escola. Conheço a desesperança dos estudantes de lá. Sei que muitos nem sequer consideraram a UFC ou UECE como opção porque acrediatavam que não passariam ou, se passassem, não conseguiriam se manter lá dentro. É uma escola pública regular, com um público estudantil bastante variado, mas constituÃdo principamente por gente pobre que vai precisar ajudar com o baião de dois em casa assim que sair da escola. As famÃlias exigem isso. Bem compreensÃvel.
Mas me assustou demais ter acesso ao PPP e ver que a META de média escolar no ENEM em 2015 (ano em que eu ingressei na universidade) era 480,49. Isso não é nada agradável. Como exigir de um estudante de uma escola como essa tenha perspectivas com algo que soa irreal para a realidade dele? Se a escola é um espaço em que esperanças são constantemente construÃdas, como fazer com que determinadas possibilidades não pareçam ser fantasiosas para esses meninos e meninas?
"Ah, mas você..." eu uma ova! Eu fui, sim, um caso à parte, assim como pouquÃssimos outros estudantes que conheço. E isso tá errado. Tá errado porque não se trata só de "força de vontade". Comparar casos de moleques que vieram de realidades absurdamente diferentes sem levar isso em consideração é injusto e irresponsável, assim como querer interpretar toda a situação a partir de dois ou três casos destoantes. As perspectivas são outras, as esperanças são outras, os sonhos são outros. E a escola participa SIM dessa construção. A comunidade participa. A famÃlia participa.
Ensinar é lidar com esperanças. E às vezes tem coisa demais matando elas.
Eu acho q eu te amo.
E eu tenho muito medo de que isso seja um equÃvoco absoluto ou só um sentimento confuso mas
Eu acho que eu te amo
E a cada vez que eu penso nisso meu corpo insiste em estremecer um pouco e minha cabeça gira alguns graus porque
Eu acho que eu te amo
E penso que eu deveria gritar isso
Mas não sei se é justo contigo deixar você saber e não saber o que fazer depois que você souber que
Eu acho que eu te amo
Mas não há certezas porque não há razão envolvida nisso
São só calafrios e tremores e desejos e confusão e prazer e
Eu realmente acho que eu te amo
Mas se não for verdade eu não posso me responsabilizar porque eu definitivamente não sei definir e identificar o amor
E é exatamente por isso que
Eu acho que eu te amo
E eu não estou perdidamente apaixonado e não sinto que vou morrer sem você
Mas sem você eu também não sei se consigo ter algo que possa ser chamado de vida
E é assim que
Eu acho que eu te amo
E já escrevi e li e pensei e gritei e fiquei sem dormir mas não consigo e não posso ter certeza de nada
Só que
Eu acho que eu te amo
Mas achismos não servem pra nada e eu não sei se você é capaz de sentir o mesmo por mim e se não for eu não saberei o que fazer porque
Eu juro que acho que eu te amo
E nesse achismo eu fico dia e noite e tenho medo de soltar qualquer dia e qualquer hora quando estiver perto de você que
Eu te amo.