A música do Plantão Globo rompe a rotina. Tomando meu café, olho para o meu marido alarmado e afirmo: "algum figurão morreu".
Limpava a mesa enquanto ele corria para a sala. Calmamente, perguntei: "quem foi?"
Teori Zavascki. Em um acidente de avião.
Assistimos o Plantão Globo até o fim. Após o encerramento, meu sogro, que também estava na sala de estar, afirmou com completa convicção: "mataram".
Ele não foi o único a acreditar nisso. O suposto acidente se tornou o assunto das esquinas. As redes sociais fervilharam com charges ironizando a queima de arquivo, textos listando os motivos para um assassinato do relator da Lava Jato, lamentos e previsões. No youtube, não demoraram a aparecer os vÃdeos associando o acidente a conspirações Illuminati e maçônicas. No geral, quase todos pareciam concordar com uma coisa: não foi um simples acidente, seria coincidência demais.
Em meio a todo o burburinho, não pude deixar de pensar nas outras quatro pessoas mortas. No caso de um atentado contra o ministro, elas não teriam sido o alvo, seriam apenas vÃtimas no lugar errado e na hora errada. Ainda assim, são só as "outras quatro pessoas" nas manchetes, sem nome, sem história, sem vida. Mereceram, no máximo, 5 minutos em algum noticiário, com uma foto de cada, seus nomes e profissões. Mortos, e segundo o que alguns supõem, assassinados. O que se sabe é que a morte de alguns foi a sorte de outros.
Há algo de muito doentio em um paÃs cujos cidadãos acreditam que podem estar sendo governados por assassinos.