- Não me siga.
- Peça com educação.
Como ela detesta esse tom irônico e esse sorrisinho idiota. Detesta, porém ama, também. Talvez por isso ela deteste: aquele sorriso de canto era o responsável por ela passar noites se perguntando como alguém podia ser tão perfeito.
- O que você quer? - ela perguntou, bufando.
- Um beijo. - ele respondeu.
Outro sorriso. Ela sentiu seu corpo tremer. Não, ninguém se rende de tal forma para alguém. Ninguém é insubstituÃvel.
Ele deu um passo; ela recuou
- Saia. - ela vociferou.
- Não. - o tom dele agora era sério. - Não vou deixar você ir embora assim, sem mais nem menos.
Sem mais nem menos?
- Você sabe o por que dessa minha decisão.
- Baseada em quê você resolveu fazer isso? Simplesmente saiu, sem ouvir minha explicação!
Ela não pode se sentir culpada. Ela está certa.
- Olha, se depois de me escutar você decidir ir embora, eu não poderei te impedir, mas por favor, não deixe seu gênio forte me julgar de novo, ok? - Ele parecia esperar pacientemente uma resposta.
Droga. Ela já está se sentindo culpada.
- Vem garota, me escuta.
- Eu vi. Você não tem o que me explicar. - ela quis expressar firmeza, mas não conseguiu.
-Eu nunca te prometi exclusividade. - ele respondeu com um sussurro.
Pronto. Era isso o que ela queria tanto escutar. Mas onde está o baque? Onde está a necessidade de virar as costas para aquele rosto e nunca mais voltar a vê-lo? Aquele rosto... A mesma voz que falou aquelas palavras parecia agora suga-la. O frio da noite a fazia desejar aqueles braços para esquenta-la.
- A gente precisa sair dessa chuva. - ele parecia preocupado.
Cafajeste. Enquanto seus pés se moviam na direção daquele que a enganara, ela percebeu que não fazia mais diferença. Ela sabia a verdade, mas isso não importava. Sabia que um dia aquele sentimento ia desfalecer, e ia esperar até esse dia com uma esperança enorme.
Já nos braços dele, se permitiu expor novamente seus sentimentos:
- eu te amo - balbuciou
Não ouve resposta.


