Há poucos dias um menino cuja existência eu ignorava fez uma publicação incomum em um dos maiores grupos secretos do facebook, um grupo focado principalmente no humor. A publicação era uma foto de um pulso com um corte profundo próximo a uma veia. A legenda era algo como "vocês também vão se matar mas esquecem os óculos e acabam não conseguindo acertar a veia?". Era madrugada, umas duas da manhã. Eu ri com a publicação, assumo. O fato de um menino estar tentando se matar durante a madrugada e lembrar de fazer uma última piada consigo mesmo é um pouco engraçado (ao menos pra mim q tenho um humor negro pesadão). Seria o tipo de coisa que eu faria. Os comentários eram coisas como "isso dá ban", "ban noite". Quando tentei comentar percebi que a publicação tinha sido removida. Massa, entrei no perfil do garoto (que parece ser uma pessoa bem divertida) e conversei com ele inbox, avisando que a publicação tinha sido removida. Ele me respondeu, mas a conversa foi curta demais. Terminou com um "já achei meus óculos". Continuei mandando mensagens, mas o rapaz não visualizou mais. Mandei solicitação de amizade, mas n houve resposta. Todo dia eu vou lá no perfil dele olhar se alguém fez algum post sobre seu suicÃdio ou sobre a tentativa. Absolutamente nada. Nenhum post, nenhuma foto, nenhum comentário que dê uma pista do que aconteceu. Ele ainda n visualizou minhas mensagens.
Hoje é dia 09 de janeiro de 2018 e eu já fiquei sabendo de vários casos de suicÃdio de pessoas que nunca conheci. Tive conhecimento deles por grupos de facebook mesmo. Algumas dessas pessoas avisaram, outras não. Hoje vi um post de uma mãe que lamentava o suicÃdio do amigo do filho. Ela se perguntava como eles não foram capazes de perceber que ele estava tão mal.
Enfim, Eu ainda estou aflita com o caso do menino. Imaginar que talvez eu tenha sido a última pessoa com quem ele conversou é assustador. O facebook tem dessas coisas, né? A gente aprende a amar, odiar e se preocupar com pessoas que nunca vimos. Talvez o mais interessante seja a aproximação que essa rede social faz entre pessoas que têm poucas coisas em comum, muitas vezes de idades, regiões, classe social e culturas diferentes, mas que são conectados por alguma razão e passam a confiar uns nos outros. Mas eu tenho muito medo do quanto nós abrimos mão do bom e velho olho no olho, talvez porque esse tipo de contato seja difÃcil demais. É bem mais fácil gritar pensamentos suicidas na internet, refugiando-se atrás de um computador e rindo, que dizer todas essas coisas encarando alguém a quem se ama e que irá sofrer com tudo isso.
Vou deixar de lado essa discussão sobre o Natal ser ou não uma festa pagã e tentar relembrar um pouco do homem que o mundo cristão celebra hoje. Não, não é o Papai Noel. É Jesus, mesmo. O Verbo vivo feito carne (Jo 1:1), concebido pelo EspÃrito Santo de Deus e gerado por uma virgem prometida em casamento. Recebeu como pai terreno um carpinteiro chamado José, passando, assim, a integrar uma genealogia que remete a uma viúva que, fingindo-se prostituta, transou com o próprio sogro para ter descendência (Gn 38). Também fez parte da descendência real de Davi, um “homem segundo o coração de Deus”. As profecias sobre seu nascimento e morte estão em vários livros do Antigo Testamento. O destino do cordeiro pascal já estava traçado: viveria justamente e se entregaria como sacrifÃcio puro pelos erros de todos, possibilitando o acesso direto destes ao Pai.
Mesmo sendo filho de Deus e descendente de reis, o menino foi deitado em uma manjedoura ao nascer, não havendo lugar para ele nas hospedarias, o que não evitou que fosse louvado: foi visitado por pastores e magos guiados por uma estrela, recebeu presentes caros, e seu nascimento foi divulgado como a chegada do Rei dos Judeus (Lc 2; Mt 2:1-12). Essa divulgação colocou a famÃlia em maus lençóis, tornando-os fugitivos do Estado (Mt 2:13-23). O menino e seus pais foram, até a morte de Herodes, imigrantes no Egito, sendo acolhidos na terra que escravizou seus antepassados. Jesus integrou, assim, uma das famÃlias menos tradicionais que já existiu: gerado pelo EspÃrito Santo no útero de uma virgem prometida, adotado por um carpinteiro de descendência real, fugitivos do Estado e estrangeiros em terra estranha.
Após o retorno, o Reis dos Judeus foi criado na cidade de Nazaré, Galiléia. Terra desprezada, de povo mestiço, da qual nunca veio profeta algum, e de onde se acreditava não vir nada de bom (Jo 1:46; 7:52). Pouco se sabe sobre sua infância, mas se diz que, aos doze anos, foi esquecido por seus pais em Jerusalém, ficando naquela cidade por três dias, após os quais foi encontrado no Templo conversando com autoridades religiosas. Pelo que diz na BÃblia, pareceu surpreender-se quando questionado por sua mãe sobre o porquê que ficara na cidade, deixando-os preocupados procurando-o (Lc 2:41-52). Por volta dos trinta anos, Jesus iniciou seu ministério de forma bastante simbólica. Após batizar-se nas águas e ser tentado por 40 dias pelo próprio Satanás, que lhe ofereceu poder e todos reinos da terra, além de incitá-lo a mostrar seu próprio poder e fazer uso da sua glória, Jesus adentrou uma sinagoga e, tomando os escritos de IsaÃas, leu a passagem que diz: “O EspÃrito está sobre mim, pelo que me ungiu para pregar o Evangelho aos pobres, enviou-me (para curar os quebrantados de coração); para proclamar libertação aos cativos e para dar vista aos cegos; para pôr em liberdade os oprimido, para proclamar o ano favorável do Senhor.” Fechando as escrituras, Jesus declarou cumpridas aquelas palavras. Após dizer mais algumas afirmações, o filho de Deus foi expulso da cidade e levado ao monte para ser de lá jogado, mas conseguiu fugir (Lc 4:1-30).
Seu primeiro milagre foi bastante “terreno”: em uma festa de bodas, transformou água em vinho para que não faltasse a alegria dos convidados (Jo 2:1-12). Ao longo de seu ministério, reuniu 12 discÃpulos, seguidores mais próximos, com personalidades marcantes e bastante diferentes (impacientes, orgulhosos, precipitados, hipócritas, violentos) ensinando-os. Reuniu, ainda, seguidores de vários tipos e classes. Percorreu diferentes cidades, não hesitando em andar no meio dos desprezados. Curou cegos de nascença, paralÃticos e leprosos, atribuindo a cura à fé destes. Comeu com cobradores de impostos e pecadores (Mc 2:13-17). Ensinou através de parábolas, no meio do povo, buscando tornar a mensagem acessÃvel aos que ouviam, sem qualquer formalidade. Fez atividades durante o dia de sábado, enraivecendo os conservadores ao afirmar que “o sábado foi instituÃdo para o homem, e não o homem para o sábado” (Mc 2:23-27). Questionou normas sociais, tradições e padrões de comportamento, ressaltando a hipocrisia daqueles que mais eram apegados a elas (Mt 15:1-20; Lc 11:37-54). Não teve receio ao expor feridas daquela sociedade. Chegou a ser acusado por escribas de estar endemoninhado (Mc 3: 20-30). Pregou a igualdade e a irmandade como poucos, afirmando uma famÃlia que não se faz por laços sanguÃneos, mas sim pelo viver e fazer a vontade de Deus (Mc 3:31-35). Em seu ministério conversou com as mulheres não como se fossem coadjuvantes, mas como sendo tão protagonistas quanto os homens. Chamou-as para perto, falava diretamente com elas, ensinando-as como a qualquer um (Lc 8:1-3; Lc 10:38-42). Em meio a uma multidão que o tocava, notou o toque (não apenas com as mãos, mas em espÃrito) de uma mulher que sofria de hemorragia havia 12 anos (Lc 8-40-48). Uma das maiores responsáveis por propagar suas palavras foi uma samaritana, de terra desprezada pelos judeus, absolutamente fora dos padrões exigidos para a época, com a qual conversou a sós, sentado junto a um poço (Jo 4:142). Louvou a fé de uma mulher estrangeira, siro-fenÃcia, que os discÃpulos viam como um estorvo (Mc 7:24-30; Mt 15:21-28; Lc 8:40-48).
Jesus ensinou sobre amor, compaixão, paciência e entrega aos outros (Lc 6:27-36). Criticou severamente a caridade para orgulho e louvor próprio, feita com o objetivo de elevar o que a pratica, mas louvou as ações feitas por amor e entrega (Mt 6:1-4; Lc 10:25-37;). Criticou ainda, os que se exaltam por seus atos, considerando-se superiores aos demais (Lc 18:9-14). Denunciou a paixão pelas riquezas e alertou dos perigos que ela traz (Lc 12:15-21, 32-34, 18:18-30; Mt 6:24). Irou-se profundamente quando viu transformarem a casa de Deus em um mercado. Em sua trajetória andando com pecadores, deixava-os com uma mensagem que parecia mais um conselho que uma ordem: “vai-te, e não peques mais”
Com toda a sua força e poder, Jesus chorou não apenas uma, mas três vezes citadas nos textos bÃblicos. Chorou quando morreu seu amigo Lázaro, que ele amava profundamente (Jo 11: 32-35); chorou por Jerusalém, lamentando a ignorância de seu povo e a sua futura destruição (Lc 19:41-44); chorou quando orava ao Pai, sofrendo e pedindo que aquele cálice fosse dele afastado, mas sempre priorizando a vontade divina(Lc 22:39-46).
Conhecendo seu traidor e sabendo do seu destino, Jesus nada fez para evitar o que iria acontecer. Sofreu calado, entregando-se à morte. Foi traÃdo por um de seus seguidores mais próximos com um beijo. Curou um dos homens que estavam ali para prendê-lo (Lc 22:50-51). Preso, foi negado três vezes por um amigo que o acompanhou durante todo o ministério. Em nome da ordem, foi acusado e julgado por seu próprio povo, que preferiu um homicida a um desordeiro, “agitador do povo” (Lc 23:5, 14, 18-19, 25). Escarneceram-no, torturaram-no e, por fim, o crucificaram. Jesus foi chorado pelas mulheres que o seguiram, acompanhando-o durante toda a crucificação (Lc 23:27-29, 49; Mt 27:55,56). No auge de seu desespero, o filho de Deus sentiu-se desamparado, abandonado pelo próprio pai (Mt 27:46). Por fim, morreu pedindo perdão pelo povo que o matou. Após três dias, ressuscitou, cumprindo suas palavras. Apareceu primeiramente a Maria Madalena, escolhendo-a para anunciar aos discÃpulos o seu retorno (Jo 20:11-18). Ressuscitando, Cristo cumpriu toda a Lei e as Escrituras, inaugurando agora um novo tempo baseado no seu sacrifÃcio eterno e insubstituÃvel: o tempo da Graça.
O ministério de Jesus foi revolucionário, mas de forma bastante peculiar. Sua revolução partia do individual para o coletivo, acontecendo primeiramente no caráter daqueles que o ouviam e o seguiam, para assim mudar a realidade social. É uma revolução que começa no coração, despertando o amor da criatura para com seus diferentes, percebendo-o como iguais, fazendo-o enxergar as injustiças e sentir a necessidade de mudá-las. O amor de Cristo não era e não pode ser representado como um amor que apenas observa e denuncia, pois é um sentimento que gera incômodo e, por isso, exige ação. É um amor que mexe, transforma a ordem, bagunça as idéias e, por isso, incomoda. Portanto, não é uma revolução de paz e calmaria, mas uma revolução que traz guerras e divisões (Mt 10:34-36). O amor de Cristo não se conforma com as injustiças e não se alegra com a dor dos que o rodeiam. E é um amor tão profundo, inconfundÃvel e particular que Jesus se permitiu ir um pouco além das Escrituras: se o Velho Testamento nos diz que devemos amar uns aos outros como amamos a nós mesmos, ele manda que nos amemos como ele nos amou (Jo 13:34).
Mesmo sendo filho de Deus e descendente de reis, o menino foi deitado em uma manjedoura ao nascer, não havendo lugar para ele nas hospedarias, o que não evitou que fosse louvado: foi visitado por pastores e magos guiados por uma estrela, recebeu presentes caros, e seu nascimento foi divulgado como a chegada do Rei dos Judeus (Lc 2; Mt 2:1-12). Essa divulgação colocou a famÃlia em maus lençóis, tornando-os fugitivos do Estado (Mt 2:13-23). O menino e seus pais foram, até a morte de Herodes, imigrantes no Egito, sendo acolhidos na terra que escravizou seus antepassados. Jesus integrou, assim, uma das famÃlias menos tradicionais que já existiu: gerado pelo EspÃrito Santo no útero de uma virgem prometida, adotado por um carpinteiro de descendência real, fugitivos do Estado e estrangeiros em terra estranha.
Após o retorno, o Reis dos Judeus foi criado na cidade de Nazaré, Galiléia. Terra desprezada, de povo mestiço, da qual nunca veio profeta algum, e de onde se acreditava não vir nada de bom (Jo 1:46; 7:52). Pouco se sabe sobre sua infância, mas se diz que, aos doze anos, foi esquecido por seus pais em Jerusalém, ficando naquela cidade por três dias, após os quais foi encontrado no Templo conversando com autoridades religiosas. Pelo que diz na BÃblia, pareceu surpreender-se quando questionado por sua mãe sobre o porquê que ficara na cidade, deixando-os preocupados procurando-o (Lc 2:41-52). Por volta dos trinta anos, Jesus iniciou seu ministério de forma bastante simbólica. Após batizar-se nas águas e ser tentado por 40 dias pelo próprio Satanás, que lhe ofereceu poder e todos reinos da terra, além de incitá-lo a mostrar seu próprio poder e fazer uso da sua glória, Jesus adentrou uma sinagoga e, tomando os escritos de IsaÃas, leu a passagem que diz: “O EspÃrito está sobre mim, pelo que me ungiu para pregar o Evangelho aos pobres, enviou-me (para curar os quebrantados de coração); para proclamar libertação aos cativos e para dar vista aos cegos; para pôr em liberdade os oprimido, para proclamar o ano favorável do Senhor.” Fechando as escrituras, Jesus declarou cumpridas aquelas palavras. Após dizer mais algumas afirmações, o filho de Deus foi expulso da cidade e levado ao monte para ser de lá jogado, mas conseguiu fugir (Lc 4:1-30).
Seu primeiro milagre foi bastante “terreno”: em uma festa de bodas, transformou água em vinho para que não faltasse a alegria dos convidados (Jo 2:1-12). Ao longo de seu ministério, reuniu 12 discÃpulos, seguidores mais próximos, com personalidades marcantes e bastante diferentes (impacientes, orgulhosos, precipitados, hipócritas, violentos) ensinando-os. Reuniu, ainda, seguidores de vários tipos e classes. Percorreu diferentes cidades, não hesitando em andar no meio dos desprezados. Curou cegos de nascença, paralÃticos e leprosos, atribuindo a cura à fé destes. Comeu com cobradores de impostos e pecadores (Mc 2:13-17). Ensinou através de parábolas, no meio do povo, buscando tornar a mensagem acessÃvel aos que ouviam, sem qualquer formalidade. Fez atividades durante o dia de sábado, enraivecendo os conservadores ao afirmar que “o sábado foi instituÃdo para o homem, e não o homem para o sábado” (Mc 2:23-27). Questionou normas sociais, tradições e padrões de comportamento, ressaltando a hipocrisia daqueles que mais eram apegados a elas (Mt 15:1-20; Lc 11:37-54). Não teve receio ao expor feridas daquela sociedade. Chegou a ser acusado por escribas de estar endemoninhado (Mc 3: 20-30). Pregou a igualdade e a irmandade como poucos, afirmando uma famÃlia que não se faz por laços sanguÃneos, mas sim pelo viver e fazer a vontade de Deus (Mc 3:31-35). Em seu ministério conversou com as mulheres não como se fossem coadjuvantes, mas como sendo tão protagonistas quanto os homens. Chamou-as para perto, falava diretamente com elas, ensinando-as como a qualquer um (Lc 8:1-3; Lc 10:38-42). Em meio a uma multidão que o tocava, notou o toque (não apenas com as mãos, mas em espÃrito) de uma mulher que sofria de hemorragia havia 12 anos (Lc 8-40-48). Uma das maiores responsáveis por propagar suas palavras foi uma samaritana, de terra desprezada pelos judeus, absolutamente fora dos padrões exigidos para a época, com a qual conversou a sós, sentado junto a um poço (Jo 4:142). Louvou a fé de uma mulher estrangeira, siro-fenÃcia, que os discÃpulos viam como um estorvo (Mc 7:24-30; Mt 15:21-28; Lc 8:40-48).
Jesus ensinou sobre amor, compaixão, paciência e entrega aos outros (Lc 6:27-36). Criticou severamente a caridade para orgulho e louvor próprio, feita com o objetivo de elevar o que a pratica, mas louvou as ações feitas por amor e entrega (Mt 6:1-4; Lc 10:25-37;). Criticou ainda, os que se exaltam por seus atos, considerando-se superiores aos demais (Lc 18:9-14). Denunciou a paixão pelas riquezas e alertou dos perigos que ela traz (Lc 12:15-21, 32-34, 18:18-30; Mt 6:24). Irou-se profundamente quando viu transformarem a casa de Deus em um mercado. Em sua trajetória andando com pecadores, deixava-os com uma mensagem que parecia mais um conselho que uma ordem: “vai-te, e não peques mais”
Com toda a sua força e poder, Jesus chorou não apenas uma, mas três vezes citadas nos textos bÃblicos. Chorou quando morreu seu amigo Lázaro, que ele amava profundamente (Jo 11: 32-35); chorou por Jerusalém, lamentando a ignorância de seu povo e a sua futura destruição (Lc 19:41-44); chorou quando orava ao Pai, sofrendo e pedindo que aquele cálice fosse dele afastado, mas sempre priorizando a vontade divina(Lc 22:39-46).
Conhecendo seu traidor e sabendo do seu destino, Jesus nada fez para evitar o que iria acontecer. Sofreu calado, entregando-se à morte. Foi traÃdo por um de seus seguidores mais próximos com um beijo. Curou um dos homens que estavam ali para prendê-lo (Lc 22:50-51). Preso, foi negado três vezes por um amigo que o acompanhou durante todo o ministério. Em nome da ordem, foi acusado e julgado por seu próprio povo, que preferiu um homicida a um desordeiro, “agitador do povo” (Lc 23:5, 14, 18-19, 25). Escarneceram-no, torturaram-no e, por fim, o crucificaram. Jesus foi chorado pelas mulheres que o seguiram, acompanhando-o durante toda a crucificação (Lc 23:27-29, 49; Mt 27:55,56). No auge de seu desespero, o filho de Deus sentiu-se desamparado, abandonado pelo próprio pai (Mt 27:46). Por fim, morreu pedindo perdão pelo povo que o matou. Após três dias, ressuscitou, cumprindo suas palavras. Apareceu primeiramente a Maria Madalena, escolhendo-a para anunciar aos discÃpulos o seu retorno (Jo 20:11-18). Ressuscitando, Cristo cumpriu toda a Lei e as Escrituras, inaugurando agora um novo tempo baseado no seu sacrifÃcio eterno e insubstituÃvel: o tempo da Graça.
O ministério de Jesus foi revolucionário, mas de forma bastante peculiar. Sua revolução partia do individual para o coletivo, acontecendo primeiramente no caráter daqueles que o ouviam e o seguiam, para assim mudar a realidade social. É uma revolução que começa no coração, despertando o amor da criatura para com seus diferentes, percebendo-o como iguais, fazendo-o enxergar as injustiças e sentir a necessidade de mudá-las. O amor de Cristo não era e não pode ser representado como um amor que apenas observa e denuncia, pois é um sentimento que gera incômodo e, por isso, exige ação. É um amor que mexe, transforma a ordem, bagunça as idéias e, por isso, incomoda. Portanto, não é uma revolução de paz e calmaria, mas uma revolução que traz guerras e divisões (Mt 10:34-36). O amor de Cristo não se conforma com as injustiças e não se alegra com a dor dos que o rodeiam. E é um amor tão profundo, inconfundÃvel e particular que Jesus se permitiu ir um pouco além das Escrituras: se o Velho Testamento nos diz que devemos amar uns aos outros como amamos a nós mesmos, ele manda que nos amemos como ele nos amou (Jo 13:34).
