Iludida
domingo, junho 19, 2011
Acreditei em sonhos, acreditei em contos de fadas, acreditei em princesas e príncipes encantados, acreditei que o mundo fosse perfeito, que tudo tinha saída e que sempre que eu estivesse em apuros, alguém viria me salvar.
Passei bom tempo da minha vidinha fútil acreditando e apostando tudo de mim nessas crenças; e então aconteceu. Foi mais rápido e mais simples do que eu imaginara. Os sonhos me enganaram, e depois descobri que contos de fada não existem. Junto com os contos de fada, se foram todas as minhas ilusões infantis.
Eu tinha mudado. Era hora de crescer.
Foi quando eu percebi que o mundo havia conspirado contra mim. Acordei, e quando olhei a humanidade, a vi ao longe, distanciada de mim. Eu era um zero à esquerda! O universo não me pertencia / eu não pertencia ao universo.
Tanto tempo eu estivera enganada quando acreditei ter crescido! Como eu pude ser tola e ter acreditado que agora, eu não iria mais sofrer, que agora eu tinha todo o poder sobre mim.
Respirei fundo, levantei a cabeça e decidi ir à luta! Ir à luta dos meus sonhos perdidos, jogados por algum lugar de algum buraco negro existente em meus pensamentos.
Foi mais doloroso do que continuar onde havia parado, ter fixado meus pés e não lutado.
Meu maior impulso foi parar ali, e esperar o primeiro sinal de facilidade que passasse por mim. Não aguentava mais ter que escolher o caminho difícil, esperançosa de que assim, tudo desse mais certo do que o esperado.
Sim, agora eu queria embarcar em tudo o que aparecesse e se mostrasse calmo o suficiente. Mas parecia que, agora que eu gostaria, os caminhos apreciados tivessem esgotados para mim.
Era impossível resgatar os sonhos perdidos, e enquanto eu tentava, só sofria mais e mais. Tinha acabado. E agora eu estava ali, só, acabada e... iludida por meus sonhos.


0 comentários