Prefácio de um nada...

terça-feira, outubro 11, 2011

Tinha quase certeza de que meus olhos estavam apagados e que dele caiam lágrimas. Quase porque, na situação em que estava, não podia ter certeza de nada. Os pensamentos passavam por minha cabeça como sendo disparados por uma metralhadora de potência máxima. Ainda assim, a ideia de estar chorando poderia me arrancar gargalhadas se eu não estivesse presa em um pesadelo do qual nem o mais desperto acordar poderia me despertar.
 Eu nunca soube chorar. Pelo menos até pouco tempo atrás, quando senti dentro de mim algo que nunca imaginara existir.  Eu acreditava em sentimentos tão idiotas e estúpidos que nem sequer merecem ser chamados de puros. E pior, acreditara que isso era a coisa mais potente que alguém poderia sentir na vida.
 Parei para reparar em como é boa a sensação do vento contra meu rosto e estremeci ao me lembrar novamente do motivo de eu estar partindo naquele carro com destino à cidade mais longe possível desse lugar. Sei que se pudessem, meus pais me mandariam direto p/ China ou algo do tipo. Eu realmente queria ficar aqui. Sei que odiava esse lugar, mas agora tudo parece tão diferente... tão claro! Agora, eu já sabia de tantas coisas, mesmo antes jurando saber de tudo. Eu me enganei, errei e meu doloroso castigo acabou sendo minha dádiva. Os dias que deveriam ser os que me fariam "melhorar" o comportamento, acabaram sendo os melhores da minha vida. Ironia?
 Amor... não, não gosto de usar essa palavra. Mesmo agora, depois de ter experimentado coisas que me fizeram outra pessoa. Mesmo agora, depois de saber que o significado atribuído a esta palavra é real. Incrível, mesmo depois de todas as mudanças ocorridas com o tempo, eu ainda podia ser eu mesma. A palavra Amor, para mim, continuava não passando e um título.
 E eu estava, agora, pagando por ter desfrutado da minha droga de maior apelo. Eu estava colocando tudo à risco, e sabia disso, mas, mesmo que quisesse, não conseguiria me arrepender dos melhores momentos da minha vida idiota. Nossa, quanto egoísmo para uma simples garota problemática.

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