Ingenuamente

segunda-feira, outubro 31, 2011


Ela parou. Sentiu o cheiro de perfume forte, se deixou vencer pela sensação de estar sendo seguida e se virou.
 - Não me siga.
- Peça com educação.
Como ela detesta esse tom irônico e esse sorrisinho idiota. Detesta, porém ama, também. Talvez por isso ela deteste: aquele sorriso de canto era o responsável por ela passar noites se perguntando como alguém podia ser tão perfeito.
 - O que você quer? - ela perguntou, bufando.
- Um beijo. - ele respondeu.
Outro sorriso. Ela sentiu seu corpo tremer. Não, ninguém se rende de tal forma para alguém. Ninguém é insubstituível.
 Ele deu um passo; ela recuou
 - Saia. - ela vociferou.
- Não. - o tom dele agora era sério. - Não vou deixar você ir embora assim, sem mais nem menos.
 Sem mais nem menos?
 - Você sabe o por que dessa minha decisão.
 - Baseada em quê você resolveu fazer isso? Simplesmente saiu, sem ouvir minha explicação!
  Ela não  pode se sentir culpada. Ela está certa.
 - Olha, se depois de me escutar você decidir ir embora,  eu não poderei te impedir, mas por favor, não deixe seu gênio forte me julgar de novo, ok? - Ele parecia esperar pacientemente uma resposta.
 Droga. Ela já está se sentindo culpada.
 - Vem garota, me escuta.
 - Eu vi. Você não tem o que me explicar. - ela quis expressar firmeza, mas não conseguiu.
 -Eu nunca te prometi exclusividade. - ele respondeu com um sussurro.
 Pronto. Era isso o que ela queria tanto escutar. Mas onde está o baque? Onde está a necessidade de virar as costas para aquele rosto e nunca mais voltar a vê-lo? Aquele rosto... A mesma voz que falou aquelas palavras parecia agora suga-la. O frio da noite a fazia desejar aqueles braços para esquenta-la.
 - A gente precisa sair dessa chuva. - ele parecia preocupado.
 Cafajeste. Enquanto seus pés se moviam na direção daquele que a enganara, ela percebeu que não fazia mais diferença. Ela sabia a verdade, mas isso não importava. Sabia que um dia aquele sentimento ia desfalecer, e ia esperar até esse dia com uma esperança enorme.
 Já nos braços dele, se permitiu expor novamente seus sentimentos:
 - eu te amo - balbuciou
  Não ouve resposta.

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