Ao pôr-do-sol

terça-feira, agosto 30, 2011


Continuei parada, encarando as ondas e observando o desenho que elas formavam ao meu redor. A cada batida da maré contra as areias, parecia que o mar queria me expulsar dali, mas eu continuava intacta, teimosa como sempre, inflexível. Pelo menos havia algo do meu antigo Eu presente.
 Na minha situação, nada seria seguro. Cada espaço impreenchível lutava para ser preenchido e tentar encontrar meu lugar desastrado no mundo se tornou um passatempo, uma mata-tédio. Desta vez, só cedi ao tédio.
 Nada que eu fizesse iria servir. Uma hora ou outra seu rosto voltaria ao palco principal dos meus pensamentos. Não que eu não gostasse disso. Era injustamente o contrário.Meus sorrisos teimavam em acompanhar os seus, que se fixavam em meus pensamentos. Minhas lágrimas insistiam em seguir as tuas, nas memórias das poucas vezes que te vi chorar. Devo ser algum tipo de doente masoquista.
 Me impressiona o quanto esse sentimento confuso me faz chorar sorrido. Como algo tão ruim pode ser ao mesmo tempo tão bom? 
Cada parte de mim deseja ser refém de alguém que não merece sequer meu sorriso e, eu sei, daria tudo por esse alguém. Apaixonada pelo inimigo. Eu devo mesmo ser uma doente masoquista.

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