O Diário de Gabriella

sexta-feira, dezembro 09, 2011


Grabiella chegou cedo em casa. Ela entrou, olhou para os lados e sentiu o coração apertar. Em um impulso, correu ao seu quarto e fechou a porta com um suspiro entrecortado. As lágrimas começaram a correr sem que ela saiba porquê, sem que ela tenha controle. A vida dessa garota tem complicações extremas, mas ela consegue sorrir sem fingir quando está na frente das pessoas. Talvez, junto com aquelas pessoas que, ela sabe muito bem, não se importam com ela, ela pode fingir não se importar também, ela pode esquecer um pouco do que o destino a reservou.
 Com as mãos trêmulas, ela pega um caderno comprado no mercadinho da esquina. Mas esse caderninho não é um qualquer, pois é ele seu grande amigos na hora de aperto, seu entendedor, seu refúgio. Esse caderno não fala, não pode dar conselhos e nem mesmo chorar junto com ela; mas ele faz o que o resto do mundo se recusa a fazer: ele a escuta. Não literalmente, claro, mas são nessas folhas que a pobre Gabriella expõe seus sentimentos e as dores que o resto das pessoas não pode ou ñ quer compreender. Ela tentou (e muito) uma amizade. Ela procurou, se esforçou e até achou ter conseguido alguém com que pudesse conversar, mas foram essas pessoas que a complicaram, magoaram, destruíram.
 Ela escreve e chora; ela conta os seus sentimentos, não o seu dia. Uma folha de papel não precisa compreender o que ela diz; uma folha de papel não faz perguntas, só absorve suas lágrimas e a tinta da caneta. Se ela não se entedia? Ela não tem esse direito, caro leitor. Se ela não tem raiva? Raiva de quê, da vida?! Muitos poderiam considerar infantilidade o que ela faz, mas essa garota já é madura o suficiente para saber que ter raiva da vida não vai servir de nada, portanto ela não tem raiva, ela tem mágoa.
 Cada linha escrita expressa as esperanças, dores, sofrimentos e até mesmo as alegrias que ela não pode contar para ninguém. Tente imaginar o quanto ela se sente feliz vendo o sorriso dele, mesmo sabendo que não poderá ter mais que isso: um sorriso que nem foi dado a ela.
 Tente ignorar um pouco sua própria hipocrisia, caro amigo, e pense no que esta garota sente. A dor de não poder ter alguém para abraçar nem chorar num ombro amigo. Você tem alguém com que pode compartilhar sua vida? Agradeça e conserve essa pessoa, pois só quem sofre da solidão de uma companhia qualquer sabe o quanto é ruim sofrer calado coisas que o mundo ignora.
 Ela ainda quer um abraço, ela ainda quer compartilhar suas lágrimas...
 Então, por favor, entre na vida e no quarto dessa pobre garota e diga a ela que isso vai passar. Diga a ela que o coração que ela possui é lindo e que ela vai conseguir superar!

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